A geração mais competitiva do mundo também é a mais carente. Os Millenials, ou geração Y, revolucionou mercados, alterou padrões de valores, e redefiniu o que é prioridade para muitos. Mas, será que o sucesso profissional e o fracasso nas relações humanas é culpa deles?

São super focados em objetivos de trabalho, tendem a ter carreiras promissoras, e adquirem bens de consumo dos sonhos mais cedo do que muita gente. Porém, a busca frenética por um estilo de vida feito na base da pressão por resultados de sucesso tem consequências avassaladoras que estão ficando cada vez mais nítidas em ambientes digitais ou nao.

A grande maioria da geração Y faz um plano de carreira tão audacioso, que se prepara ao extremo. Antes de terminar a faculdade já tem mais habilidades empresariais e cursos do que um sênior com 30 anos de carreira.

Como são competitivos, se esquecem que seus locais de trabalhos podem ser insalubres, com chefes insuportáveis e horas de trabalho em casa para alcançar expectativas muitas vezes estabelecidas por eles mesmos.

O resultado de tanta pressão se reconhece na carência, com consequências na saúde, enquanto consultórios no mundo todo têm um público alvo crescente: os Millenials.

Não tiram férias em locais sem wi-fi, cancelam comemorações em família, e constantemente se metem em relações tipo fast food, porque são incapazes de se dedicar a relacionamentos a longo prazo.

A carência dessa geração está refletida inclusive em seus animais de estimação: muitos desenvolvem comportamentos esquisitos porque são humanizados demais, mimados demais, ou até negligenciados, ficando trancados em belos apartamentos o dia todo.

E antes que você me diga que isso é culpa deles, lhe pergunto: será que, ao exigir que um cara com 35 anos tenha a carreira, a casa e o carro dos sonhos, não nos esquecemos de ensinar liderança, em vez de sucesso?

A responsabilidade da vida de cada um é dele mesmo. Ok! Mas será que no legado da geração X (pais dos Millenails) não faltou afeto, tempo e construção de valores?

Sim, to colocando o dedo na ferida. Acredito que desejamos tanto que nossos filhos fossem bem-sucedidos, que nos esquecemos de ensinar lições básicas, tais como empatia, resiliência e saber ouvir as pessoas.

Relações humanas são complicadas, eu concordo. Mas, quando se ama alguém é necessário um trabalho árduo de compreensão, carisma, e muitas vezes perder para poder ganhar.

Estamos criando homens e mulheres bem-sucedidos, sozinhos, e sem a capacidade de entender que um relacionamento, para ser construído, começa com a admiração do outro.

Empresas, famílias e toda a comunidade devem começar a olhar para essa geração com carinho, porque haverá necessidade de um upgrade para que, no futuro, seja criado um legado, onde o relacionamento seja a chave para o sucesso, mais do que adquirir bens de consumo ou falar 3 idiomas.

Por: Maria Augusta Ribeiro. Profissional da informação, especialista em Netnografia, escreve para o Belicosa.com.br.