Autoconfiança, velocidade e noção de mundo faz da geração Z pessoas super preparadas para o mercado de trabalho, mas não para a vida. Nascidos entre 1995 e 2000, essa turma começa a dar sinais de que suas perspectivas sobre experiências apenas no mundo digital não são tão legais assim.

Uma vez que tiveram contato com a recessão logo de pequenos, acabaram por desenvolver habilidades mais realísticas do que outras gerações, o que deveria ser bacana, certo?

Justamente pela noção de mundo atualizada à velocidade da informação digital, passaram a se frustrar com outras coisas que não são tão óbvias assim. E, com isso, entram no mercado de trabalho desejando acontecimentos profissionais que são incompatíveis com a realidade atual.

A geração Z tem, em sua base, questionamentos como qualquer outra turma jovem. Contestam padrões, alimentação e consumo. O que tem um impacto positivo na economia, já que, consumidores mais bem informados sobre o que desejam, exigiriam produtos e serviços melhores.

Desejam empresas com procedimentos mais transparentes, posicionamentos mais firmes, e serão capazes de ajudar a mudar o mundo em suas carreiras.

Hoje, a geração Z representa 26% da população mundial que acaba de entrar no mercado de trabalho, segundo pesquisas da Deloitte. O que preocupa, já que em 2025 teremos profissionais no mercado altamente preparados profissionalmente, mas totalmente estressados.

A geração Z é uma turma que foi impactada pelo terrorismo, pela crise econômica e pelo aquecimento global. Mas não tem ideia de como a tecnologia de hoje impactou na vida de seus pais, de como para conseguir sucesso é necessário experiência, e que a vida moderna vai além do seu iphone.

Ativos, eles não se confortam em serem coadjuvantes, querem produzir seus conteúdos e conseguem por meio do digital dizer a que vieram. Porém, quando seu universo virtual se fecha, são incapazes de ter foco neural, e toda aquela sensibilidade e noção de mundo cai por terra.

A geração Z é especial como todas as outras, mas, por serem nativos digitais, acreditam que tudo acontece por causa da tecnologia disponível, o que não é bem assim. Tem dificuldades para respeitar hierarquias, desenvolver um raciocínio analítico mais profundo, e são altamente individualistas.

Com isso, como é que o mercado contrata profissionais que não conseguem trabalhar em grupo? Ou que têm dificuldades para receber ordens do superior? Ou que questionam o modelo de negócios o tempo todo? Essas e outras perguntas são as responsáveis por deixar a geração Z cada vez mais frustrada, já que, com isso, será difícil parar em qualquer emprego.

Eles nasceram achando que são protagonistas de tudo, que são especiais apesar de qualquer merda que fizerem, e “perder” é uma palavra que não existe no vocabulário deles.

E antes que você me diga, “Ahhh! É porque são empreendedores!”, devo dizer que, diferente da geração Y, a turma Z não é categorizada como uma geração de empreendedores, o que fará que seja difícil manter seus empregos.

Agora, imagine que você esta investindo na formação do seu filho com as melhores universidades, aulas de idiomas, acesso infinito à internet, e quando ele entrar no mercado de trabalho com seus diplomas de mestrados e afins descobrirá que o sonho de mudar o mundo não é bem assim.

Vale a pena investir em experiências coletivas, acesso a animais de estimação, interagir mais pelo visual do que pelo virtual. Enfim, criar um ambiente onde ele possa ler um livro de sebo e apreciar uma história que aconteceu no passado sem que seja pelo digital.

Acredite, fazer refeições juntos, dar boas risadas e compartilhar a experiência do afeto, e até mesmo do trabalho duro, vai preparar o seu filho para frustrações futuras, que ele irá passar, quer você queira, quer não.

Por: Maria Augusta Ribeiro. Profissional da informação, especialista em Netnografia, escreve para o Belicosa.com.br.