A netnografia é a etnografia ajustada para as redes. Em outras palavras, em vez de sentar a pessoa numa sala e fazer perguntas, o pesquisador entra no habitat natural dela online e observa como ela realmente fala, reclama, recomenda e se relaciona quando ninguém está “pesquisando”.

pesquisa não vê

Foi inventada por Robert Kozinets no meio dos anos 90. Nesse sentido, em 1995, ele estudava fãs de Star Trek e percebeu que as conversas espontâneas nos grupos da época diziam muito mais sobre consumo e cultura do que qualquer questionário. Dessa forma, formalizou o método e, desde então, virou a principal forma de fazer pesquisa cultural séria no digital.

O grande diferencial? De fato, a netnografia captura a espontaneidade, aquele lado da pesquisa científica que quase ninguém usa de verdade. As pessoas nas redes não estão performando para o pesquisador. Elas falam do jeito que falam mesmo. E é exatamente aí que aparece tudo o que a pesquisa tradicional costuma perder: fraquezas, vulnerabilidades, dores reais, oportunidades de negócio e caminhos claros de melhoria contínua.

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Por que isso muda o jogo?

Nesse contexto, quando você só ouve o que o consumidor diz quando sabe que está sendo pesquisado, recebe a versão polida. Por outro lado, na netnografia, você pega a versão crua. E, consequentemente, é essa versão que alimenta colaboração de verdade, escuta genuína do cliente e prototipagem de produtos que resolvem problemas reais.

O caso clássico é o da Nivea. Nesse sentido, a Baiersdorf, junto com a HYVE, mergulhou em fóruns e comunidades onde as pessoas reclamavam de desodorante. Com isso, descobriram que a dor das manchas brancas em roupa preta e amarelas em roupa branca era muito maior do que as pesquisas tradicionais mostravam. Como resultado, o *Nivea Invisible for Black & White*, lançado em 2011, virou o desodorante de maior sucesso em 130 anos da empresa. Ou seja, o insight veio da conversa solta. E, assim, o produto veio da co-criação.

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Além disso, outras marcas grandes já usam isso de forma estratégica: Adidas (comunidades de customização de tênis), Campbell’s (como as pessoas realmente planejam refeições online), LEGO (Adult Fans of LEGO), Coca-Cola, Johnson & Johnson e, no Brasil, Fleischmann. Dessa maneira, todas colheram insights que pesquisas tradicionais simplesmente não entregavam com a mesma profundidade.

Em resumo, o que a netnografia entrega de verdade, Ela permite:

Ouvir a perspectiva real do cliente, sem filtro

Criar colaborações e co-criação com as comunidades

Prototipar produtos e serviços a partir de dores e desejos genuínos

Por outro lado, enquanto muita pesquisa ainda fica na superfície do “o que o consumidor diz que quer”, a netnografia vai atrás do que ele realmente sente e comenta quando ninguém está olhando. E, assim, é exatamente aí que estão as melhores oportunidades de negócio e de melhoria contínua.

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Dessa forma, três décadas depois de Kozinets ter começado a observar fãs de Star Trek, a netnografia continua sendo uma das formas mais honestas de entender o que as pessoas realmente pensam. Porque, no fim, a espontaneidade ainda é um dos recursos mais subutilizados da pesquisa.

Nesse sentido, sou consultora em netnografia e o que mais aprecio no método é justamente isso: ouvir de verdade a perspectiva de quem consome, e não de quem produz. De fato, muitas vezes uma campanha de marketing é bem executada, mas mira a geração errada. Ou, ainda, a comunicação não é assertiva porque a empresa fica obcecada com o produto e esquece das experiências reais do cliente. Assim, a netnografia corrige exatamente esse desvio de olhar. E ai já pensou em contratar uma pesquisa assim?

Por Maria Augusta Ribeiro especialista em netnografia e comportamento digital

https://belicosa.com.br/o-que-e-netnografia/

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