Os gatos deixaram de ser apenas animais de estimação. Hoje eles são verdadeiros ativos de marca. A netnografia (o estudo do comportamento do consumidor na internet) mostra como comunidades online transformaram os felinos em embaixadores poderosos, geradores de engajamento e valor econômico para empresas.
Atualmente temos mais pets do que nunca. No Brasil, a população de gatos já chega a cerca de 30,8 milhões de animais, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), com um crescimento de 5,4% entre 2022 e 2024.
Já que o país tem hoje aproximadamente 160 milhões de pets no total e ocupa a terceira posição mundial em população pet, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
Com essa convivência mais próxima, a longevidade dos gatos também aumentou.
Portanto gatos domésticos bem cuidados vivem, em média, entre 15 e 20 anos, e não é raro encontrar felinos chegando aos 22 ou até 25 anos. Graças aos avanços na medicina veterinária, alimentação de qualidade e cuidados preventivos, os gatos hoje são companheiros de longo prazo, o que eleva o investimento emocional e financeiro dos tutores.

De fato o mercado pet respondeu rapidamente a essa realidade. Hoje existe uma explosão de produtos específicos para gatos: rações premium, snacks funcionais, suplementos para longevidade, camas ortopédicas, brinquedos interativos, arranhadores de design, caixas de areia inteligentes e até planos de saúde dedicados. O mercado pet brasileiro movimentou cerca de R$ 78 bilhões em 2024/2025, e o segmento felino é um dos que mais crescem dentro dele.
Assim a netnografia revela que os tutores não compram apenas produtos. Eles buscam experiências e marcas que demonstrem respeito e carinho pelos seus gatos. É nesse contexto que os gatos se tornaram ativos de marca tão poderosos.
Cada vez mais gatos se transformam em verdadeiros influenciadores digitais. Perfis famosos como @nala_cat e @lilbub dominam internacionalmente, enquanto no Brasil perfis como @canseidesergato e @raviolli acumulam milhões de seguidores e geram engajamento orgânico impressionante. Esses gatos não só produzem conteúdo viral como também licenciando produtos ou virando marca própria.

Contudo alguns gatos já lançaram suas próprias linhas: camisetas, canecas, coleiras, brinquedos, rações e até produtos de cuidados com o cheiro “aprovado” pelo felino. Outros fazem parcerias com grandes marcas, recebendo cachês em forma de contratos de licenciamento. O gato deixa de ser apenas o protagonista do conteúdo e passa a ser o dono da marca.
Assim a netnografia ajuda as empresas a entender esse fenômeno. Nas comunidades online, o tutor não vê o gato como um animal qualquer ele é parte da identidade da família. Quando uma marca usa um gato de forma autêntica e respeitosa, ela ganha confiança e lealdade espontânea. Quando explora ou força a situação, recebe rejeição imediata.
No fim das contas, os gatos provam que um ativo de marca não precisa ser humano para criar conexão profunda. Com mais pets em casa, gatos vivendo mais tempo, um mercado de produtos cada vez mais sofisticado e felinos se transformando em influenciadores e marcas, estamos diante de um dos fenômenos mais interessantes do consumo contemporâneo: o poder econômico e emocional de um simples miado.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia