Do Youtube à Literatura dos Booktubers


Booktubers, mas o que é isso? São pessoas que leem livros, falam sobre eles em seus canais no Youtube, e vêm modificando o mercado editorial como conhecemos. É um número cada vez maior de celebridades que explode em visualizações na internet pelo conteúdo que leem e compartilham, incentivando novas gerações de leitores.

Confesso, quando comecei a pesquisa sobre o tema, entrei pensando naqueles livros sem sentido de algumas celebridades que ficaram famosas via canal de Youtube e vendem milhões sei lá por quê.

Mas, aos poucos, o universo de gente que gosta de literatura e divide esse conhecimento me fez pensar em novos modelos de ensino e negócios. Afinal de contas, não há nada de errado em um jovem de 20 anos ser bem sucedido financeiramente fazendo da leitura sua profissão.

Estamos formando pessoas que gostam da experiência de ler um livro e, pasmem, na sua versão original, de papel. Nenhum dos canais que acessei tem booktubers fazendo indicações do que estão lendo em versões digitais.

A moçada é tão antenada que segmenta mercado se especializando pelo gênero que gosta de ler. E as editoras sacaram isso, e pagam para eles lerem suas publicações e fazer resenhas online, beneficiando as vendas.

O grande sucesso dos booktubers não se repete no universo literário, onde grandes editoras e bookstores fecham suas portas pela pouca procura. E alguma coisa nessa conta nos alerta para uma equação errada. Se tem mais gente lendo significa que deveríamos ter mais livros sendo vendidos, certo?

Sem entrar em mimimi de que não há incentivos a educação, cultura e os altos impostos, o que acontece com o universo dos booktubers é que eles leem livros, compartilham conteúdo, porém, nem todo mundo que assiste seus canais sai de casa para comprar um.

E assim acarreta um novo cenário: o da turma super bem informada, porém pouco aprofundada. E erros de grafia, conhecimento e pesquisa continuam a ser encontrados com grande frequência nas provas estudantis de todo o país.

Do outro lado podemos dizer que essa turma antenada criou formatos de compartilhamento de conteúdo mais atrativos aos mais jovens, e sem dúvida desperta interesse. Talvez não por todos os 16 livros em média que os booktubers leem no mês, mas por um.

Há ainda booktubers especializados em conteúdo para Enem, Toffel e exame da Ordem dos Advogados. O que não retira a responsabilidade do estudante em estudar, mas de alguma forma complementa o aprendizado.

Outra curiosidade dessa geração youtubers é que em sua maioria distribuem os livros que já leram, e raramente têm Instagram hiper bombados, pois acabam por dedicar grande parte de seu tempo à leitura.

Fui da última geração nascida sob os ventos do analógico e acredito que, quando proporcionamos formatos digitais onde o objetivo é o compartilhamento de conteúdo através da experiência de pegar um livro de papel e ler, acho fascinante.

Segundo dados do CIEP- Centro Integrados de Educação Pública, mais de 800 mil escolas no país não tem qualquer acesso à tecnologia. Porém, se imaginarmos que pelo smartphone uma criança ou jovem desestimulado pela educação se interessar pela leitura porque encontrou quem o incentive num booktuber, isso pode ser uma alternativa complementar à escola.

Quanto mais incentivarmos pessoas diferentes, de idades distintas e de realidade completamente adversa a se unir para trocar experiências, tanto no físico como no digital, teremos mais gente capaz de reter conhecimento, em vez de apenas ter uma informação instantânea, rasa ou sem benefício para a formação de outros valores.

Penso que os pais e professores deveriam embarcar nessa. Vá lá assistir um booktuber e aprenda a reconhecer a importância desse canal de comunicação efetiva. Não há nada de errado em aprender algo sobre um livro no Youtube, junto com seus filhos ou seus alunos e depois ir juntos a um sebo, livraria ou mesmo comprar online o livro e ler.

Somente juntos seremos responsáveis por desenvolver habilidades digitais e físicas, que serão experimentadas em conjunto e lembradas para a vida toda como agentes da mudança que tanto falamos por aí. Lembre-se: Internet não é vilão, é ferramenta de transformação, e você também pode. Divirta-se.

Aqui tem uma lista de booktubers bem bacana veja:

Tatiana G Feltrin

Juliana do Nuve n Literaria

Geek Freak

Ler antes de morrer

Literature-seEduardo Cilto

Cabine literaria

 

Por: Maria Augusta Ribeiro. Profissional da informação, especialista em Netnografia e Comportamento Digital –  Belicosa.com.br

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